Segundo a página oficial do Instituto Nacional de Estatística são-tomense, a taxa de desemprego é de 13,6%, mas não é indicado a que altura se refere este dado. O líder da oposição, Jorge Bom Jesus, tem afirmado que o desemprego no país supera os 30%.

O primeiro-ministro cessante, Patrice Trovoada (Ação Democrática Independente, ADI), já admitiu que falhou no combate ao desemprego jovem, mas reafirmou que a construção de um porto de águas profundas em Neves (norte de São Tomé) e a remodelação do aeroporto da ilha vão permitir “dar a volta à economia”.

“É preciso perceber que em São Tomé e Príncipe a população cresce a 4% ao ano. A função pública criou muitos empregos, cresceu 30% nos últimos quatro anos, mas é um problema estrutural”, disse à Lusa o líder da ADI e candidato a um segundo mandato à frente do Governo são-tomense, Patrice Trovoada.

O governante afirma que a população são-tomense “tem um nível de educação razoável para África”, mas “não encontra espaço económico para ter oportunidades”, pelo que, afirma, há que “dar mais espaço ao setor privado”.

O presidente do maior partido da oposição, o Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe — Partido Social Democrata (MLSTP-PSD), Jorge Bom Jesus, defendeu a necessidade de “sustentar o tecido empresarial nacional, para que se crie mais emprego”.

À Lusa, o líder da oposição avisou que “a corrupção aumentou, e quando há corrupção, há miséria, porque aquilo que pertence a todos é levado e é comido por alguns”.

Hoje, acrescentou, “a economia está completamente paralisada”, propondo por isso criar incentivos aos bancos para que haja créditos bonificados.

Arlindo Carvalho, o cabeça-de-lista da coligação composta pelo Partido da Convergência Democrática (PCD, segundo maior partido da oposição, com cinco deputados eleitos), a União para a Democracia e Desenvolvimento (UDD, com um lugar na Assembleia Nacional), e o Movimento Democrático Força da Mudança (MDFM, criado pelo antigo Presidente Fradique de Menezes), aponta uma razão para o desemprego: “O problema é que a política se meteu na economia”.

“É preciso promover o setor privado, porque o setor público neste momento está inchado”, referiu, apontando a necessidade de “criar condições para o investimento privado”, depois de, nos últimos anos, se ter verificado “um aperto em relação às empresas, com um aumento excessivo de taxas que contribuiu para que as empresas se afundassem”.

Mais de 90 mil eleitores são-tomenses votam no próximo domingo para as legislativas do país, bem como autárquicas em São Tomé e regionais do Príncipe.

Publicidade