Pela ‘praxis’ democrática, o Presidente da República deve chamar a ADI, o vencedor das eleições, para constituir Governo, apresentando a sustentabilidade parlamentar. É no parlamento que vamos saber se a ADI tem ou não sustentabilidade”, disse hoje o secretário-geral do partido, Levy Nazaré, numa declaração à imprensa sem direito a perguntas, na sede do partido, em São Tomé.

A ADI “poderá chumbar no parlamento”, por falta de apoio parlamentar, reconheceu.

Segundo os resultados provisórios das eleições de domingo, divulgados esta segunda-feira pela Comissão Eleitoral Nacional (CEN), a ADI venceu as legislativas por maioria simples (25 mandatos em 55 da Assembleia Nacional), seguindo-se o Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe – Partido Social Democrata (MLSTP-PSD), com 23 lugares; a coligação PCD-UDD-MDFM, com cinco eleitos, e ainda dois deputados eleitos como independentes pelo distrito de Caué (sul do país).

O primeiro-ministro, Patrice Trovoada, já anunciou que vai procurar um entendimento com os deputados de Caué, o que garantiria 27 deputados, menos um que os assentos assegurados pelo MLSTP e coligação, que fizeram um acordo de incidência parlamentar e com fins governativos.

“Caso o ADI não consiga essa sustentabilidade no parlamento, aí caberá ao MLSTP, que ficou em segundo lugar, apresentar essa mesma sustentabilidade ao Presidente”, Evaristo Carvalho (ADI), referiu Levy Nazaré.

Mas, antes, ressalvou, “há que esperar os resultados definitivos do Tribunal Constitucional”, órgão a que o partido pediu a verificação de “mais de 2.000” votos nulos e em branco, que afirma que, na sua maioria, podem ser validados como votos na ADI.

Hoje de manhã, dirigentes do MLSTP e da coligação apelaram ao Presidente da República para que “queime etapas”, porque um Governo da ADI “sucumbirá” no parlamento, sem apoio da maioria absoluta formada pela oposição.

Na declaração, o secretário-geral da ADI acusou a oposição de fazer “ameaças de morte” aos simpatizantes, apelando à calma, e convocou uma “concentração pacífica” para sexta-feira.

“[Queremos] repudiar todo o ato de violência, de ameaças, a que vimos assistindo e solidarizarmo-nos com os magistrados e todos os agentes da Comissão Eleitoral Nacional que vêm desempenhando as suas missões”, disse.

O partido condenou “todas as ameaças (?) contra magistrados e familiares, bem como ameaças a todos os dirigentes, militantes e simpatizantes do ADI, por pessoas pagas, orientadas pelos dirigentes da oposição”, afirmou Nazaré, que relatou ter recebido “ameaças de morte e de incendiarem” os seus bens.

A ADI pediu “a toda a população, e aos militantes em particular, para que se mantenham tranquilos, calmos, serenos, até ao fim do processo, e não se deixem intimidar”.

O partido quer promover uma “concentração pacífica”, esta sexta-feira, na Praça da Independência, em São Tomé.

“Será uma concentração legal, não como fez a oposição, de forma ilegal”, disse, referindo-se a festejos de apoiantes do MLSTP.

“O mote é a favor da paz, da tranquilidade e do respeito pela lei e pela nossa Constituição”, afirmou, advertindo os militantes que a oposição “vai ameaçar as pessoas, vai amedrontar”.

“É a prática dessa gente. Pedimos para não se amedrontarem e virem em massa”, pediu.

A iniciativa, justificou, pretende também demonstrar “a força e determinação” do partido, “pelo menos até ao final deste processo eleitoral”.

“Esta ação do ADI é para demonstrar que São Tomé e Príncipe é e continuará a ser um país democrático, de brandos costumes” e que os tumultos que ocorreram na segunda-feira, durante um protesto de apoiantes da oposição, são “ato isolado”, que “fere a imagem democrática” de São Tomé e Príncipe.

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