“Mais uma vez incito as autoridades a prosseguir com medidas que mitiguem os impactos negativos desta realidade recorrente em Cabo Verde, e reforçar o seu apoio ao mundo rural, onde vive uma grande parta das nossas gentes”, afirmou Jorge Carlos Fonseca.

Para o chefe de Estado cabo-verdiano, “só a melhoria de condições de vida nas zonas rurais tem a capacidade de diminuir a enorme pressão sobre os grandes centros urbanos que se tem sentido nas últimas décadas em Cabo Verde”.

“O mundo rural não pode ser perspetivado apenas numa dimensão económica e financeira, mas também social e cultural, e nos seus efeitos a longo prazo”, prosseguiu.

Com “agrado”, Jorge Carlos Fonseca registou “a continuação da tendência de crescimento da economia em 2018”.

Contudo, referiu que, pela via do crescimento económico, o país pode “enfrentar o grave problema do desemprego que continua a ser uma das grandes preocupações dos cabo-verdianos, especialmente dos mais jovens”.

“Há que adotar políticas ativas de fomento do emprego, como as contempladas no Orçamento do Estado para 2019, que devem ser concretizadas com muita determinação e, se possível, ampliadas”, disse.

Para o chefe de Estado, a segurança continua a ser “uma das preocupações maiores” da sociedade cabo-verdiana.

“Aplaudimos muito vivamente as medidas levadas a cabo e congratulámo-nos com os resultados alcançados. Hoje é menor o sentimento de insegurança, mas ainda o nível de insegurança, especialmente nos grandes centros urbanos, é bem elevado”.

Jorge Carlos Fonseca expressou votos de que 2019 seja um ano em que começarão a ser sentidos “os efeitos tão desejados por todos de regularização da ligação entre as nossas ilhas”.

“É uma questão com enorme impacto social, mas também económico, pois um mercado interno relativamente pequeno é mais reduzido ainda quando ele fragmentado”, afirmou.

Jorge Carlos Fonseca manifestou-se muito preocupado com o facto de “a violência contra a mulher” assumir “proporções inaceitáveis” e que o abuso sexual de menores continuar a manchar a sociedade cabo-verdiana.

“Atos que repugnam a nossa consciência e apela-nos a uma séria e aturada reflexão sobre tais fenómenos, criando um ambiente institucional e normativo mais eficiente nesse combate. A complexidade dessas situações, quase sempre relacionadas com o uso abusivo de substâncias psicoativas, com destaque para as bebidas alcoólicas, interpela-nos de forma muito incisiva”.

A este propósito, anunciou que vai promover em 2019 “uma grande jornada de reflexão sobre estas questões, com a participação de académicos, organizações não governamentais, organismos estatais, entidades religiosas e às vítimas de tais práticas, para, em conjunto, buscarmos os caminhos para se fazer face a essa dura e terrível realidade”.

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