Depois de a sessão ter sido interrompida por cerca de 45 minutos, os deputados do Partido da Renovação Social (PRS) e do Movimento para a Alternância Democrática (Madem-G15) voltaram a levantar-se dos lugares e a dirigirem-se para a mesa do parlamento, tendo permanecido no local até o presidente da Assembleia Nacional Popular, Cipriano Cassamá, ter terminado a sessão.

O deputado do PRS Botche Candé chegou mesmo a virar uma das mesas onde estava sentado o presidente do parlamento e outros membros, tendo mais tarde já no final da sessão sido agarrado por pessoas quando Cipriano Cassamá abandonava a sala.

“São atos muito normais em qualquer parlamento do mundo. Aliás, o parlamento guineense já teve brigas em que os deputados envolveram-se aos socos. Infelizmente ou felizmente neste caso concreto não houve esta situação e que poderia ter, e com justeza, razão de ser”, afirmou o líder da bancada parlamentar do PRS, Sola N`Quilin.

Questionado pela Lusa se os deputados guineenses já não deveriam ter outro nível de maturidade política, Sola N`Quilin disse que os deputados têm um bom nível, mas considerou que a situação da democracia no parlamento se está a degradar, “cada vez mais”.

Para o vice-presidente da Assembleia do Povo Unido – Partido Democrático da Guiné-Bissau, Armando Mango, houve uma tentativa de utilizar a força e outro tipo de subterfúgios para que o parlamento não funcionasse.

“O problema é que quem sabe de antemão que pode vir a perder na votação tentou arranjar um imbróglio para que não se votasse, isso é o propósito, mas infelizmente, apesar de todo aquele barulho acabou por se votar a ordem do dia”, disse Armando Mango.

A ordem acabou por ser aprovada por 54 deputados.

O parlamento da Guiné-Bissau está dividido em dois grandes blocos, um, que inclui o PAIGC (partido mais votado nas legislativas, mas sem maioria), a APU-PDGB, a União para a Mudança e o Partido da Nova Democracia, com 54 deputados, e outro, que juntou o Madem-G15 (segundo partido mais votado) e o PRS, com 48.

O PRS e o Madem-G15 pretendiam dar continuidade à primeira sessão, mas a comissão permanente acabou por convocar uma segunda sessão onde está incluída a eleição do segundo vice-presidente do parlamento, que ainda não foi eleito devido a uma impasse.

Depois de Cipriano Cassamá, do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), ter sido reconduzido no cargo de presidente do parlamento, e Nuno Nabian, da Assembleia do Povo Unido – Partido Democrático da Guiné-Bissau (APU-PDGB), ter sido eleito primeiro vice-presidente, a maior parte dos deputados guineenses votou contra o nome do coordenador do Movimento para a Alternância Democrática (Madem-G15), Braima Camará, para segundo vice-presidente do parlamento.

O Madem-G15 recusou avançar com outro nome para cargo e apresentou uma providência cautelar para anular a votação, mas que foi recusada pelo Supremo Tribunal de Justiça.

Por outro lado, o Partido de Renovação Social (PRS) reclama para si a indicação do nome do primeiro secretário da mesa da assembleia.

O parlamento volta a reunir-se na quarta-feira.

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