A AJOC considera que apesar de Cabo Verde ter conquistado o 25º lugar no “ranking” mundial da liberdade de imprensa dos Repórteres Sem Fronteiras, indicando que a situação é satisfatória, existem ainda muitos aspectos que precisam ser melhorados.

Gisela Coelho, jornalista e secretária da Associação Sindical dos Jornalistas de Cabo Verde (AJOC), que falava em declarações à Inforpress e em substituição do presidente da organização, que está em missão nos Estados Unidos, no âmbito do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, que se assinala hoje, enalteceu a importância do dia, salientando que a liberdade de imprensa é “fundamental para o amadurecimento da democracia”.

“(…) como diz o próprio relatório dos Repórteres Sem Fronteiras, é uma situação satisfatória, mas significa que ainda temos muito por onde melhorar, é sempre possível melhorar. Conquistamos, este ano, o 25º lugar, no entanto, o relatório, como a AJOC já tinha evidenciado, chama a atenção para algumas questões relacionadas com os órgãos públicos”, indicou.

O próprio relatório, lembrou esta responsável, diz que o principal grupo de média pública, a Radio Televisão Cabo-verdiana (RTC), está a tentar impor um código de ética e conduta aos seus jornalistas, que há uma limitação de receitas nos medias privados e precariedade laboral em muitos órgãos privados.

“A questão dos baixos salários dos associados da comunicação social, sejam eles jornalistas, operadores de imagens (…), também é sabido de alguns problemas laborais na própria Inforpress relativamente a progressões nas carreiras”, ajuntou, realçando, que esses aspectos apontam algumas fragilidades que têm contribuído negativamente para que a liberdade de imprensa em Cabo Verde não esteja num nível melhor.

Gisela Coelho frisou, por outro lado, que há uma tendência no arquipélago para um “certo condicionamento dos jornalistas” e “instrumentalização da comunicação social ”, defendendo, entretanto, que, nesta matéria, caberá a cada jornalista fazer seguir o caminho mais correcto.

Questionada sobre os desafios do jornalismo em Cabo Verde, asseverou que os desafios continuam a ser sempre os mesmos, apesar de se registar avanços nos últimos anos, apontando, a necessidade de maior sensibilização dos jornalistas para a união da classe e mais recursos financeiros para garantir a acções de formação e especialização dos jornalistas.

No que se refere ao plano de acção da AJOC com o intuito de contribuir para o reforço e garantia da liberdade de imprensa em Cabo Verde, disse que a organização tem vindo a realizar várias actividades visando chamar atenção sobre a importância do papel do jornalista e da liberdade de imprensa em prol da consolidação da democracia cabo-verdiana.

A AJOC, ressaltou, Gisela Coelho, lamenta ainda o aumento do número de jornalistas mortos em 2018, que subiu para 94, mais 12 do que em 2017, defendendo, neste sentido, acções mais eficazes em prol da defesa dos direitos dos jornalistas e evitar mais perda de vidas no seio da classe.

Para celebrar o dia Mundial da Liberdade de Imprensa, a AJOC, em parceria com a CNDHC, PNUD e Embaixadas dos Estados Unidos e de Portugal, promove esta sexta-feira, na cidade da Praia, um workshop sobre o “Jornalismo de investigação no combate a desinformação”.

O Dia Internacional da Liberdade de Imprensa é comemorado no dia 03 de Maio. A data, criada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) no ano de 1993, celebra o direito de todos os profissionais da mídia de investigar e publicar informações de forma livre.

Foi criada também para alertar sobre as impunidades cometidas contra centenas de jornalistas que são torturados ou assassinados como consequência de perseguições por informações apuradas e publicadas por estes profissionais.

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