Entre as vítimas mortais encontram-se 18 combatentes e 12 civis, de acordo com os números provisórios cedidos à agência espanhola Efe pelo responsável de resolução de conflitos comunitários da missão das Nações Unidas na RCA (MINUSCA), Mamadou Dangabo.

Por sua vez, a organização não-governamental Médicos Sem Fronteiras (MSF) aponta o registo de 50 feridos.

O conflito na noite de 25 de dezembro opôs milícias e comerciantes no bairro PK5, controlado por um grupo rebelde que se intitula de autodefesa da área e a que a MINUSCA já confiscou armas, munições e drogas.

O PK5 é um enclave da comunidade muçulmana em Bangui – cidade fortemente cristã – e é conhecido pelas suas atividades comerciais, sendo cenário regular de violentos conflitos.

Fontes citadas inicialmente pela agência France-Presse apontavam para a morte de pelo menos 11 pessoas.

O PK5 não é controlado pela MINUSCA ou pelas autoridades centro-africanas, sendo que hoje ainda não havia um relato oficial dos confrontos.

“A luta continua, enviámos uma equipa da Força de Reação Rápida. Uma parte do mercado foi queimada, assim como alguns veículos”, disse o porta-voz da MINUSCA, Bili Aminou Alao.

Os disparos das armas foram ouvidos na capital da RCA durante a noite de quarta-feira e na manhã de hoje, de acordo com a agência francófona.

“Entre 40 e 50 lojas foram queimadas, assim como quatro ou cinco casas”, apontou o diretor-geral do serviço de Proteção Civil da RCA, coronel Patrick Bidilou Niabode.

De acordo com o responsável, os bombeiros apagaram dois incêndios que atingiam mercados no PK5.

Desde 2014 que o bairro tem sido afetado por episódios de violência esporádica.

A RCA caiu no caos e na violência em 2013, depois do derrube do ex-Presidente François Bozizé por grupos armados juntos na Séléka, o que suscitou a oposição de outras milícias, agrupadas sob a designação anti-Balaka.

O PK5 serviu de abrigo a muitos muçulmanos de Bangui após os confrontos entre estes dois grupos.

O Governo centro-africano controla um quinto do território. O resto é dividido por mais de 15 milícias que procuram obter dinheiro através de raptos, extorsão, bloqueio de vias de comunicação, recursos minerais (diamantes e ouro, entre outros), roubo de gado e abate de elefantes para venda de marfim.

Um acordo de paz foi assinado em Cartum, capital do Sudão, no início de fevereiro pelo Governo e por 14 grupos armados, e um mês mais tarde as partes entenderam-se sobre um governo inclusivo, no âmbito do processo de paz.

Portugal está presente na RCA desde o início de 2017, no quadro da MINUSCA, com a 6.ª Força Nacional Destacada (FND) e militares na Missão Europeia de Treino Militar-República Centro-Africana, cujo 2.º comandante é o coronel António Grilo.

A 6.ª FND, que tem a função de Força de Reação Rápida, integra 180 militares, na sua maioria paraquedistas, pertencendo 177 ao Exército e três à Força Aérea. Na RCA estão também 14 elementos da Polícia de Segurança Pública.

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