O emprego a tempo inteiro no setor das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) alcançará os 55,3 milhões de postos de trabalho em todo o mundo em 2020, mais 3,9% do que este ano, de acordo com as previsões da consultora norte-americana International Data Corporation (IDC).

A empresa de market intelligence estima que o emprego nas TIC mantenha a taxa de crescimento durante o período entre 2019 e 2023, atingindo mais de 62 milhões de empregos no último ano, com uma taxa de crescimento anual composta ao longo de 3,8%.

“O investimento em tecnologia de transformação digital é o mecanismo que impulsiona o investimento em TI. O conjunto de capacidades de TI necessárias para desenvolver projetos de transformação digital está a mudar, registando um crescimento mais rápido da procura em posições centradas em dados e em inteligência”, referiu Craig Simpson, analista da IDC.

Logo, de acordo com o especialista da IDC, o que está a acontecer é que os funcionários de TI que se concentram nas funções básicas de instalação e manutenção de tecnologia acabam por preencher posições relacionadas com a construção de funcionalidades de arquitetura e banco de dados, para “obter inteligência e conhecimento dos esforços de transformação digital de uma organização”.

Entre as cerca de 40 funções analisadas, apenas três representam quase um terço dos empregos estimados: programador / engenheiro de software, especialista em apoio ao utilizador e analista de sistemas.  Segundo o mais recente “Worldwide Technology Employment Impact Guide”, as profissões que mais crescerão serão: cientista de dados (13,7%), engenheiro / developer / designer de machine learning (13,6%) e engenheiro de dados (12,9%).

Das empresas que recrutaram ou tentaram recrutar especialistas das TIC em Portugal este ano, quase metade (47%) teve dificuldade em preencher os postos de trabalho disponíveis, de acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE). As empresas pequenas foram aquelas que apontaram as maiores dificuldades (49%) de contratação destes profissionais, segundo o mais recente “Inquérito à Utilização de TIC pelas Empresas”, divulgado pelo INE.

Em 2019, cerca de 21% das empresas referem ter pessoal ao serviço especialista em TIC, mas, perante a conhecida «guerra de talento» nesta área, as ações de formação que as organizações promoveram ao longo do ano passado sobre este tema acabou por destinar-se essencialmente a colaboradores com outras funções.

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