Timor-Leste: Oposição consolida aliança de maioria com cerimónias em sedes partidárias

A oposição timorense consolidou hoje a Aliança de Maioria Parlamentar (AMP) com cerimónias e discursos nas sedes dos três partidos do bloco e que vão ser repetidas em encontros idênticos em todo o território de Timor-Leste.

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Responsáveis dos três partidos – Congresso Nacional da Reconstrução Timorense (CNRT), Partido Libertação Popular (PLP) e Kmanek Haburas Unidade Nacional Timor Oan (KHUNTO) – participaram nos encontros que decorreram esta manhã.

Os encontros decorreram num momento de tensão política entre a oposição maioritária e a coligação do Governo – formada pela Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin) e pelo Partido Democrático (PD) – e a possibilidade de queda do executivo, alvo de uma moção de censura.

Estas cerimónias servem para “reafirmar os laços de união, solidariedade, vontade e empenho” que norteiam o “projeto político comum [da AMP] de promoção do desenvolvimento” do país, afirmou o líder do KHUNTO, José Naimori, num discurso na sede do CNRT.

Antes, também na sede do maior partido da oposição – e ainda com o seu líder máximo, Xanana Gusmão, ausente no exterior -, Naimori, o presidente do PLP, Taur Matan Ruak, e os principais responsáveis das estruturas dos partidos testemunharam o hastear das bandeiras das três forças políticas.

Cerimónias idênticas tinham-se realizado antes, primeiro na sede do KHUNTO e depois na sede do PLP, onde um trio de jovens fez subir, ao som dos respetivos hinos partidários, as bandeiras dos membros da AMP.

Os jovens tinham bonés e t-shirts com o novo ‘slogan’ da AMP, a palavra “MARXAMOR” que como explicou o apresentador das cerimónias, José Turquel, conselheiro nacional do KHUNTO, é formada pelos nomes dos líderes dos partidos.

“Marcha com Amor: MAR de Taur Matan Ruak, XA de Xanana Gusmão e MOR de Naimori. Marcha com Amor em defesa da Constituição e das leis”, disse.

Discursando na sede do PLP, Matan Ruak, que é porta-voz da AMP, referiu-se ao atual momento político e à solução que pode ser encontrada pelo chefe de Estado timorense, Francisco Guterres Lu-Olo, (que é também presidente da Fretilin), se o Governo cair.

Taur Matan Ruak afirmou que desde a restauração da independência “não há antecedentes de eleições antecipadas”, acrescentando que os “três presidentes independentes” anteriores, incluindo ele próprio, nunca recorreram a essa opção.

Matan Ruak agradeceu ainda ao CNRT ter “dado espaço” aos partidos mais pequenos, PLP e KHUNTO, “para se encontrarem entendimentos depois dos desencontros” das negociações com o partido mais votado, a Fretilin.

“Isso aconteceu porque houve paciência, capacidade de gerir as diferenças e vontade de servir o país”, disse, saudando os líderes das bancadas dos três partidos que “conseguiram conciliar posições, chegar a um entendimento pela unidade”.

Hoje, depois do acordo das bancadas, do posterior acordo das lideranças (numa reunião em Singapura), mostra-se “a determinação de consolidar a aliança, expandi-la para cada município, cada posto administrativo, cada suco, cada aldeia”, disse o ex-chefe de Estado.

Taur Matan Ruak insistiu que “um dos princípios da democracia é que a minoria se submete à maioria” e que o Governo não consegue garantir a estabilidade governativa no parlamento, sublinhando que a AMP estava “pronta para ser alternativa quando o Governo fracassar”.

“A maioria não assalta o poder. A experiência, a história de todo o mundo mostra que é a minoria, que não tem legitimidade, que assalta o poder”, afirmou.

Os três partidos iniciam este fim de semana uma campanha de consolidação da AMP em todo o país, tendo preparado um pequeno folheto a detalhar a “evolução política” do bloco da oposição.

Além de uma carta pessoal de Xanana Gusmão a Mari Alkatiri, na qual recomenda nomes de vários membros do anterior Governo que deviam integrar o atual executivo, o folheto inclui cartas da AMP ao chefe de Estado, comunicados de imprensa e textos da moção de rejeição do programa governativo e da moção de censura.

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