“Espero que continuem a manter a sua independência editorial neste processo. Alguns já fizeram muito e estão empenhados em informar e transmitir informações que a população necessita”, afirmou à Lusa Virgílio Guterres.

Para Virgílio Guterres, este processo tem de ser continuado.

“A tensão vai ser alta, mesmo controlada, mas vai ser alta. As forças políticas estão a envolver as figuras nacionais deste país. Espero que os jornalistas continuem a manter a sua integridade e rigor na recolha dos factos e na transmissão das suas noticias”, declarou.

Guterres disse à Lusa que o Conselho de Imprensa tem acompanhado com preocupação a crescente desinformação, notícias falsas e insultos nas redes sociais, o que está a prejudicar a informação à população, especialmente quando os jornalistas as usam para fazerem noticias.

Utilizadas pela primeira vez de forma significativa nas eleições parlamentares de 2017, as redes sociais, especialmente o Facebook, tornaram-se em Timor-Leste um dos mais amplos espaços de debate político.

Esse facto tem levado os partidos políticos a ampliarem a sua presença na rede que se tornou, em muitos casos, a forma quase exclusiva de divulgar posições partidárias.

A situação agrava-se com dezenas de perfis falsos onde proliferam publicações com ataques diretos e insultos a líderes timorenses e a partidos políticos.

“É uma situação muito preocupante para mim e para o Conselho de Imprensa. Estão a emergir nas redes sociais e no debate público opiniões ou informações que envolvem a unidade da informação dos partidos políticos que não estão a informar o público sobre os preparativos para as eleições antecipadas, mas sim para fazer acusações e ataques aos líderes e a começar a fazer segregação entre as frentes de luta do passado”, considerou.

Para o responsável, este “não é um bom processo de informação para o público”.

Face a esta situação, o Conselho de Imprensa promoveu recentemente um encontro com os diretores de informação dos órgãos de comunicação social timorenses aos quais apresentou as suas preocupações.

“Insistimos para que as redações tomem atenção, continuando a basear a sua cobertura no código de ética do jornalismo e no padrão profissional que cada redação tem e não basear as suas notícias nas informações das redes sociais ou nos comentários que se encontram ou imagens que são publicadas nas redes sociais”, disse.

As eleições antecipadas em Timor-Leste decorrem a 12 de maio.

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