Giovani era natural da Ilha do Fogo e morreu a 31 de dezembro, na sequência de uma rixa na cidade portuguesa de Bragança. no distrito de Trás-os-Montes e Alto Douro, no norte do país. O representante da Cultura cabo-verdiana Tito Paris e o próprio Governo de Cabo Verde fizeram-se hoje representar na cidade transmontana com uma mensagem de “irmandade”.

“Un Cria Ser un Poeta” foi a música do conhecido mestre cabo-verdiano Paulino Vieira que Tiro Paris escolheu para homenagear o jovem de 21 anos na sessão de abertura do Dia do IPB, que faz 37 anos.

“É uma canção que todos conhecem, eu não poderia estar a passar músicas muito tristes no momento que estamos a passar”, justificou o canto, afirmando sentir-se “honrado por fazer parte desta homenagem”.

Tito Paris vincou que “não poderia ficar indiferente a este convite, vir a Bragança, dado o que aconteceu aqui”.

“Ambas as partes estão tristes, Bragança e nós também estamos, ninguém gostaria que isto acontecesse na família. Infelizmente aconteceu com Giovani, que eu considero um herói e uma estrela”, afirmou.

O cantor lançou um repto ao politécnico de Bragança para que “um dia organize uma excursão a Cabo Verde sem raiva, sem ódio, cheio de amor e amizade no coração”.

“Seria muito bonito e o governo de Cabo Verde iria gostar e o presidente da Câmara da terra do Giovani, iria receber muito bem. Espero por vocês lá”, desafiou.

O presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP) de Portugal, Pedro Dominguinhos, que esteve presente na sessão, respondeu ao repto assegurando que “se entenderem fazer qualquer iniciativa na Ilha do Fogo”, este órgão “está na disposição de se associar”.

“É uma forma de reforçar os laços. É com atos e não apenas com palavras que a cooperação se faz”, salientou.

O ministro-adjunto do primeiro-ministro de Cabo Verde, Rui Figueiredo, representou o Governo, reiterando que “a memória de Giovani servirá para sedimentar estes laços fraternos que nos unem e que nada poderá fazer vacilar ou pôr em questão”.

“Há coisas que nos ultrapassam e que devemos, na hora do sofrimento, saber aceitar e transformar o sofrimento num momento de determinação como um sinal de que só a paz, a concórdia e o amor podem vencer a violência, o ódio e a intolerância”, declarou.

Com a presença em Bragança, o governante quis dizer que “Cabo Verde, Portugal e o conjunto dos países de Língua Oficial Portuguesa continuam irmanados mesmo nas horas difíceis”.

Também o presidente do politécnico de Bragança, Orlando Rodrigues, vincou que a presença de diferentes entidades neste dia de aniversário e de homenagem serviu para “dizer que os laços que nos unem são mais fortes que as tragédias que nos acontecem”.

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