A greve, por tempo indeterminado, de trabalhadores do Caminho-de-Ferro de Luanda (CFL) prossegue na próxima semana e com a suspensão, a partir de sábado, dos únicos dois comboios em circulação, exigidos por lei.

Em declarações hoje à agência Lusa, o secretário da Comissão Sindical para os Assuntos Jurídicos, Dias Kinquela, em jeito de balanço da greve iniciada na segunda-feira, disse que os protestos vão continuar e que a lei estabelece que os serviços mínimos funcionam apenas do primeiro dia de greve até ao quinto.

Desde o arranque da greve, segunda-feira, apenas dois dos 17 comboios do CFL estão a circular com a realização de duas viagens, assegurando o transporte de manhã e à tarde de cerca de 350 passageiros em cada período.

“Os serviços mínimos ficam suspensos a partir de amanhã [sábado]”, garantiu o sindicalista.

Segundo Dias Kinquela, na quarta-feira foi realizado um encontro entre a comissão negociadora e o Conselho de Administração do CFL, mas o principal ponto de divergência – aumentos salariais – mantém-se sem solução.

“Mesmo com a presença do secretário de Estado para os Transportes Terrestres não houve solução, a empresa continua a dizer que não tem dinheiro, recorreu-se ao Estado, que até aqui ainda não se pronunciou”, disse.

O sindicalista referiu que o titular da pasta dos Transportes em Angola orientou a elaboração de um memorando, que foi já submetido à Casa Civil da Presidência da República, mas ainda não há resposta.

No encontro, avançou Dias Kinquela, o secretário de Estado e o conselho de administração da empresa pediram à equipa negociadora para se suspender a greve, mas os representantes dos trabalhadores consideraram não ter legitimidade para atender a esta solicitação.

“Por isso pedimos ao conselho de administração para, eles próprios, pedirem aos trabalhadores. A reunião aconteceu hoje, às 10:00 e no ponto que tem a ver com o aumento salarial, [a administração] disse que está sem condições para satisfazer essa exigência. Assim sendo, os trabalhadores abandonaram a sala”, explicou.

De acordo com o secretário da Comissão Sindical para os Assuntos Jurídicos, os trabalhadores recusam-se a aceitar essa resposta e garantem que não vão retomar os trabalhos até que este ponto seja resolvido.

“Até aqui a administração também ainda não nos deu nenhuma contraproposta, argumentando que não têm capacidade para aumentar sequer 1%. Isso frustra os trabalhadores”, frisou o sindicalista, acrescentando que este ponto representa 60% das reivindicações.

Ainda hoje, o primeiro secretário da Comissão Sindical, o secretário-geral do Sindicato Independente dos Ferroviários de Angola e o secretário-geral da Central Geral de Sindicatos Independentes e Livres de Angola (CGSILA) iriam reunir-se com o ministro dos Transportes angolano, Ricardo de Abreu.

“Estamos à espera dos resultados desse encontro, para se encontrar uma solução pacífica deste problema”, referiu.

Relativamente aos salários praticados na empresa, o sindicalista disse que o mais baixo é de 40 mil kwanzas (112 euros) e o mais alto ronda um milhão de kwanzas (2.815 euros).

Para os maquinistas, informou o sindicalista, depois de uma reivindicação feita pelos mesmos, o salário foi ajustado, passando o maquinista principal a auferir 199 mil kwanzas (560 euros), o de primeira, 117 mil kwanzas (329 euros), o de segunda, 90 mil kwanzas (253 euros) e o de terceira, 84 mil kwanzas (236 euros).

“Mas este salário tem provocado contestação, porque na área da tripulação existe o maquinista e o condutor, que tem o papel de relatar toda a informação sobre a circulação do comboio, mas não foram aumentados e continuam com salários que variam entre os 73 mil kwanzas [205 euros] e 83 mil kwanzas [233 euros]”, indicou.

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