Esta bateria de tarifas visado as importações chinesas, que já tinha sido avançada algumas horas antes por altos funcionários da Casa Branca, pretende travar, segundo as palavras de Trump, a concorrência desleal por parte de Pequim e restringir o roubo de propriedade intelectual norte-americana.

O valor inicial avançado por fontes da administração norte-americana rondava os 50 mil milhões de dólares (cerca de 40 mil milhões de euros).

Apesar destas medidas, Donald Trump insistiu, durante numa intervenção feita a partir da Casa Branca, que a China é um país “amigo” e que tem “imenso respeito pelo Presidente Xi Jinping”.

Também enfatizou a sua excelente relação pessoal com o seu homólogo chinês.

Trump indicou igualmente estar a negociar com Pequim uma redução “na ordem dos 100 mil milhões dólares” (cerca de 81 mil milhões de euros)” no défice comercial que os Estados Unidos têm com o gigante asiático.

“Pedi à China para reduzir o défice em 100 mil milhões de dólares, que seria 25% (do total) ou talvez até mais. Temos de fazer isso”, declarou Trump, ao assinar o memorando presidencial relativo às novas tarifas comerciais.

“Estamos a conversar com a China e envolvidos numa negociação muito grande. Vamos ver onde nos leva, enquanto isso vamos tomar esta medida”, prosseguiu o Presidente norte-americano, sem esclarecer, no entanto, a possibilidade de um reajustamento destas novas tarifas caso Pequim responda ao seu pedido sobre o défice comercial.

Robert Lighthizer, o representante do governo de Donald Trump para os assuntos comerciais, terá agora 15 dias para publicar a lista dos produtos afetados por estas tarifas.

Segundo fontes da Casa Branca, as novas tarifas podem afetar cerca de 1.300 tipos de bens, de sapatos a roupa, passando por dispositivos tecnológicos de última geração.

Uma vez publicada esta lista, existirá um período de discussão pública de 30 dias, antes das tarifas entrarem em vigor, de acordo com a administração norte-americana.

Por outro lado, Trump dará um prazo de 60 dias ao Departamento do Tesouro norte-americano para decidir como restringir o investimento chinês nos Estados Unidos devido a práticas de “distorção do mercado”, segundo as palavras de Peter Navarro, assessor para a área do comércio do chefe de Estado norte-americano.

Os Estados Unidos planeiam ainda denunciar a China perante a Organização Mundial do Comércio (OMC) por alegadas práticas discriminatórias na atribuição de licenças tecnológicas.

No mesmo dia em que Trump deu o tiro de partida para a prometida guerra comercial contra a China, ao ter anunciado o pacote de taxas alfandegárias sobre produtos chineses importados pelos Estados Unidos, a administração norte-americana decidiu deixar de fora do aumento das tarifas comerciais sobre as importações de aço e de alumínio – medida deverá entrar em vigor na sexta-feira -, a União Europeia (UE), a Austrália, a Argentina, o Brasil e a Coreia do Sul.

Também de fora ficaram os seus parceiros no Acordo de Comércio Livre da América do Norte (NAFTA, na sigla em inglês), o Canadá e o México.

“O que [Donald Trump] decidiu fazer foi suspender a imposição de tarifas sobre esses países”, anunciou Robert Lighthizer, numa audiência numa comissão especializada do Senado norte-americano (câmara alta do Congresso norte-americano).

Hoje, em Bruxelas, a comissária europeia para o Comércio, Cecilia Malmstrom, afirmou que esperava que a UE “no seu todo” integrasse a lista de países e regiões isentas das taxas alfandegárias sobre o alumínio e aço.

“Esta tarde [o Presidente norte-americano Donald Trump] vai fazer o anúncio sobre possíveis exceções. Nós esperamos estar incluídos nesta lista, mas não temos a certeza”, disse então a comissária, falando no Parlamento Europeu.

Malmstrom esteve na terça e quarta-feira em Washington onde se reuniu com o seu homólogo norte-americano.

Há duas semanas, a administração norte-americana anunciou a aplicação de taxas alfandegárias de 25% sobre as importações de aço e de 10% sobre as de alumínio.

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