A organização do festival de música NOS Primavera Sound, que decorre anualmente no Parque da Cidade do Porto, revelou esta terça-feira o cartaz completo da próxima edição, agendada para os dias 11, 12 e 13 de junho.

Entre as confirmações mais sonantes estão artistas e bandas como Beck, Tyler the Creator, Lana Del Rey, Bad Bunny, King Krule, FKA Twigs, Little Simz, Cigarettes After Sex, Earl Sweatshirt, Dinosaur Jr. e Weyes Blood.

No leque de artistas nacionais confirmados para o festival estão David Bruno, Throes + the Shine, Montanhas Azuis, Chico da Tina e DJ Firmeza, entre outros.

Antes da revelação do cartaz completo esta terça-feira, a organização do festival já tinha confirmado um concerto dos regressados Pavement, a banda de Stephen Malkmus que marcou o indie-rock dos anos 1990.

Também já se esperava que alguns dos artistas e bandas confirmados para o Primavera Sound catalão não estivessem no congénere do Porto: os The Strokes, os Fountaines D.C. e Caribou foram confirmados para o NOS Alive, os The National para o Rock in Rio, Iggy Pop para o EDP Vilar de Mouros, King Gizzard & the Lizard Wizard para o Super Bock Super Rock e Bad Bunny para o Meo Sudoeste. Apesar disso, Bad Bunny vai estar no Parque da Cidade do Porto e vai assim atuar em dois festivais portugueses este ano.

Face ao cartaz do Primavera Sound de Barcelona, estarão ainda ausentes no Porto o rapper Young Thug, os grupos Massive Attack, Disclosure e Brockhampton, os cantores e compositores Bill Callahan, Kurt Vile, Mavis Staples, Brittany Howard, Kacey Musgraves, Joan Shelley e King Princess e as bandas Jesus & Mary Chain, Metronomy, Yo La Tengo e Bauhaus, por exemplo.

Beck, um regresso depois de mais de dez anos de ausência

É a par de Lana Del Rey a confirmação mais sonante do cartaz revelado esta terça-feira e é, ao contrário do que acontece com a popular cantora norte-americana, um reencontro com o público português após vários anos (mais de dez) afastado de palcos nacionais. Beck Hansen, autor de discos como Mellow Gold (1994), Odelay (1996) e Mutations (1998) e autor de temas como “Loser”, “Devils Haircut” e “Sissyneck”, vai atuar logo no primeiro dia de concertos no Parque da Cidade do Porto, a 11 de junho.

O último concerto do cantor e compositor em palcos nacionais foi no verão de 2008, no festival Super Bock Super Rock. Desde aí, e após uma pausa de alguns anos sem edição de discos, já editou três álbuns: Morning Phase, em 2014 — vencedor de dois prémios Grammy, nas categorias de Melhor Álbum do Ano e Melhor Álbum de Rock —, Colors, de 2017 — vencedor do Grammy de Melhor Álbum de Música Alternativa — e Hyperspace, editado no ano passado.

Se Beck deverá congregar um público bastante transversal no palco principal do festival, no primeiro dia de atuações, haverá mais concertos a reter no dia 11 de junho. Um deles será o do rapper e cantor Tyler the Creator, que em 2018 atuou num dos palcos secundários do festival portuense e que regressará agora com um novo álbum para apresentar: IGOR, vencedor de Melhor Álbum Rap na última edição dos prémios Grammy.

O artista que tem 28 anos e cujo nome de batismo é Tyler Gregory Okonma voltará ao Porto já como sólida certeza da música mundial e não apenas do género hip-hop: o último par de álbuns que lançou (antes de IGOR revelara Flower Boy) assegura-lhe um lugar único na música, pela mistura sui generis de batidas de dança eletrónicas, canto e rap.

Ainda no primeiro dia de concertos será possível ouvir a delicada pop ambiental de FKA Twigs, a languidez das canções melancólicas dos Cigarretes After Sex e a força experimental e rock da antiga baixista e guitarrista dos Sonic Youth, agora a solo e com um álbum (No Home Record) para apresentar, Kim Gordon. Também o hip-hop da rapper e cantora britânica Little Simz, o ecletismo da fórmula musical — inspirada em várias correntes e estilos da tradição musical negra dos EUA — de Sampa the Great, o rock dos Black Midi e dos DIIV e o Brasil de Arnaldo Antunes serão ouvidos no dia de arranque do festival.

Lana Del Rey, aposta segura mesmo depois do Meco

No segundo dia de concertos, 12 de junho, o maior destaque vai para Lana Del Rey. A cantora novaiorquina de 34 anos, que tem como nome de batismo Elizabeth Woolridge Grant, tem um pé no estrelato pop e outro na credibilidade junto da crítica, tem singles que quase o mundo inteiro já ouviu na rádio (“Born to Die”, “Summertime Sadness”, “Blue Jeans” e “Video Games”) mas também tem vindo a aprimorar a conceção de álbuns.

O último disco de Lana Del Rey, Norman Fucking Rockwell, conseguiu um por vezes raro equilíbrio entre apreço dos críticos e popularidade entre ouvintes. É um álbum mais complexo do que os anteriores editados pela cantora e é também menos acessível e radiofónico nas suas fórmulas de composição: basta ver que seis das 14 canções têm cinco minutos ou mais de duração e uma delas, “Venice Bitch”, dura mais de nove minutos.

O concerto no NOS Primavera Sound em Portugal será o segundo em pouco mais de um ano em palcos nacionais: no verão passado, a cantora atuou no Super Bock Super Rock, no Meco. A devoção aí mostrada pelos fãs permite perceber que é muito provável que a presença de Lana Del Rey no Porto arraste muita gente para o Parque da Cidade, no dia 12 de junho.

Mais surpreendente do que a aposta em Lana Del Rey é a aposta em Bad Bunny, também para um segundo dia do festival que está claramente direcionado para um público mais jovem. Não por falta de popularidade, já que o cantor de reggaeton é uma das estrelas maiores de um género musical cujo impacto está nos píncaros (como se viu na edição do ano passado do NOS Primavera Sound, com J. Balvin), mas porque a sua presença já tinha sido confirmada no festival MEO Sudoeste, que decorre em agosto.

Ainda no dia 12 de junho, longe dos holofotes que estarão apontados a Lana Del Rey e Bad Bunny, um trio de artistas e bandas com menor popularidade promete marcar o dia de atuações. São eles Earl Sweatshirt, antigo parceiro de Tyler, The Creator no coletivo Odd Future que se tem firmado como certeza num hip-hop verdadeiramente alternativo, porque menos acessível e mais experimental (com ligações ao jazz, com menos refrões e canto e com uma produção lo-fi); Weyes Blood, o nome artístico com que Natalie Mering editou as canções folk-pop dos discos Front Row Seat to Earth, de 2016, e Titanic Rising, este último incluído em muitas listas de melhores álbuns de 2019 de jornais e revistas generalistas e de especialidade; e os Rolling Blackouts Coastal Fever, banda australiana de rock que deu boas indicações na sua estreia em Portugal em 2019, no festival NOS Alive.

King Krule e Dinosaur Jr. (mas não só) juntam-se aos Pavement

Para o terceiro e último dia de concertos do festival, 13 de junho, as atenções estarão quase todas concentradas na banda de indie-rock Pavement. O grupo, liderado por Stephen Malkmus, foi uma das bandas mais importantes do indie-rock na década de 1990, graças a álbuns como Slanted and Enchanted (de 1992), Crooked Rain, Crooked Rain (1994) e Wowe Zowee (1995). A banda acabou em 2000, mas depois de um regresso dez anos depois para uma série de concertos, volta agora — mais dez anos volvidos — para um conjunto de atuações.

A presença dos Pavement no NOS Primavera Sound já tinha sido confirmada, pelo que um dos nomes mais fortes anunciados para o último dia de concertos no festival é o de King Krule, nome artístico de Archy Marshall. O jovem prodígio britânico de 25 anos começou cedo a fazer música, ainda adolescente, e depois de três álbuns em que foi percetível uma evolução gradual e permanente da sua fórmula musical (cada vez mais própria e distinguível de correntes musicais tradicionais e de referências que lhe eram apontadas), apresentar-se-á no Porto com um novo disco, Man Alive!, que será editado no dia 21 deste mês de fevereiro.

Além dos Pavement e King Krule, o NOS Primavera Sound terá no encerramento concertos da banda de indie-rock Dinosaur Jr., do grupo de funk-rock instrumental Khruangbin, vindo de Houston, Texas, da poeta, ativista pelos direitos civis e cantora de R&B Jamila Woods (autora de um dos melhores álbuns de 2019, Legacy! Legacy!) e da jovem cantora e compositora espanhola de reggaeton Bad Gyal, por exemplo.

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