O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, pediu hoje à comunidade internacional mais determinação na luta contra os fluxos financeiros ilegais para complementar os esforços de combate à corrupção dos países africanos.

“Tenho testemunhado os esforços de muitos países em África para eliminarem a corrupção, reformar os sistemas de impostos e melhorar a governação das instituições, mas a comunidade internacional deve complementar estes esforços com uma determinação mais forte em combater a evasão fiscal, o branqueamento de capitais e fluxos financeiros ilegais”, disse.

António Guterres falava hoje na sede da União Africana, na sessão de abertura da 33ª cimeira de Chefes de Estado e de Governo da organização, que decorre hoje e segunda-feira na capital da Etiópia, Adis Abeba.

O secretário-geral das Nações Unidas sublinhou que estes flagelos “estão a privar os países africanos de recursos essenciais para o desenvolvimento”.

Convidado a participar na reta final dos encontros anuais da organização africana, António Guterres sublinhou também na sua intervenção a importância da cooperação entre as duas instituições, assegurando “apoio total” das Nações Unidas à implementação da agenda de desenvolvimento da UA, a Agenda 2063.

Afirmando-se convicto de que “os desafios de África só poderão ser resolvidos com lideranças africanas”, Guterres elogiou a organização por ter assumido como objetivo acabar com os conflitos no continente.

“Silenciar as armas não é apenas sobre paz e segurança, mas também sobre desenvolvimento inclusivo e sustentável e direitos humanos”, disse.

Apontando como outras “prioridades urgentes” o combate à pobreza e aos efeitos das alterações climáticas, António Guterres sublinhou que “África tem sido vítima de uma globalização desigual” e a região que mais sofre com as alterações climáticas.

“As suas nações precisam de apoio para construírem resiliência e se adaptarem aos inevitáveis impactos futuros. O aumento da temperatura em África é o dobro da média mundial. O ano passado foi devastador”, adiantou, lembrando os furacões, as secas e as pragas de insetos que atingiram o continente.

Por isso, defende Guterres, os países e setores industriais com mais emissões de gases com efeito de estufa, que resistem a tomar medidas que permitam manter o aquecimento global abaixo dos 1,5 graus e alcançar a neutralidade climática em 2050 “têm uma responsabilidade especial”.

“Se não cumprirem, todos os nossos esforços e, em particular os esforços africanos, serão em vão. Precisamos mais ambição na mitigação, mas também mais ambição no financiamento para ajudar os países africanos mais frágeis a adaptarem-se”, acrescentou.

“A COP25 (cimeira climática) foi uma desilusão. Temos de trabalhar todos juntos para que a COP26 seja um sucesso para que África tenha o apoio que precisa”, reforçou.

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