As Nações Unidas (ONU) e a União Africana (UA) apelaram hoje à retirada do Sudão da lista dos países que apoiam o terrorismo e pediram mobilização de apoios internacionais para o desenvolvimento do país.

“Está na altura de retirar o Sudão da lista dos Estados que apoiam o terrorismo e de mobilizar apoio internacional massivo que possa permitir ao país ultrapassar as suas dificuldades”, defendeu o secretário-geral das Nações Unidas.

António Guterres falava hoje durante a sessão de abertura da 33.ª cimeira de Chefes de Estado e do Governo da União Africana, que decorre até segunda-feira na capital da Etiópia.

Intervindo antes do secretário-geral das Nações Unidas, também o presidente da Comissão da União Africana, Moussa Faki Mahamta, tinha deixado um apelo aos Estados Unidos para a retirada do país da referida lista, classificando o processo de pacificação do Sudão, após a destituição do presidente Omar al-Bashir, como um “sucesso estrondoso”.

“Esta experiência demonstra que se África se dedicar a resolver os seus problemas, juntamente com os parceiros internacionais, pode fazer a diferença”, disse.

Os líderes das duas organizações manifestaram, por outro lado, preocupação com o recrudescimento dos conflitos étnicos no continente, bem como com a guerra na Líbia e a fragilidade e demora no cumprimento do acordo de paz no Sudão do Sul.

Nesse sentido, reafirmaram a importância da parceria entre as Nações Unidas e a União Africana na busca de soluções de diálogo para as várias crises que assolam o continente.

O Sudão faz parte da lista norte-americana de países que apoiam o terrorismo desde a década de 1990, quando acolheu Osama bin Laden e outros terroristas.

O Sudão é suspeito de também ter servido de ponte para o Irão fornecer armas para milícias palestinianas na Faixa de Gaza, tendo sido alvo de ataques aéreos contra uma escolta, em 2009, e contra uma fábrica de armas, em 2012, atribuídos a Israel.

A nova administração do Sudão considera que a saída da lista de países que apoiam o terrorismo é fundamental para a reconstrução da sua economia.

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