UE/África: São Tomé e Príncipe importa da Europa sete vezes o valor das exportações

O arquipélago de São Tomé e Príncipe (STP) importa da Europa mais de 73 milhões de euros em bens e serviços, tendo exportado apenas 10 milhões no ano passado, agravando a balança comercial para 62,7 milhões de euros. STP é o país dos PALOP com pior saldo da balança comercial com a UE.

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De acordo com os dados disponibilizados à Lusa pelo organismo oficial de estatísticas da União Europeia, o Eurostat, o arquipélago de STP viu as exportações aumentarem de 8 milhões de euros, em 2014, para 8,5 milhões no ano seguinte e, em 2016, registou-se uma subida mais expressiva, para 10,2 milhões de euros.

Ainda assim, a subida das exportações deste país africano não chega para compensar o aumento das importações europeias, que subiu de 65,1 milhões em 2014 para 65,2 milhões no ano seguinte e para 73 milhões no ano passado.

A balança comercial continua, assim, deficitária do ponto de vista africano em 62,7 milhões de euros, o que representa um agravamento face ao saldo negativo de 56,6 milhões, em 2015.

O PIB, depois de ter aumentado 5% em 2016, deverá crescer 5,5% neste e no próximo ano, alicerçado no turismo e no investimento na construção, de acordo com as previsões do Banco Africano para o Desenvolvimento, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico e das Nações Unidas, expressas no relatório sobre as ‘Perspetivas Económicas Africanas’, divulgado em maio.

“O crescimento deverá chegar aos 5,6% este ano e depois 5,4% em 2018, impulsionado principalmente pelo investimento direto estrangeiro na construção e no turismo”, lê-se no documento.

A dependência do financiamento externo é uma das dificuldades do arquipélago, dizem os analistas, que notam que “encontrar recursos nacionais suficientes para financiar a despesa pública é um desafio importante”, o que origina um “grande volume de dívida pública, estimada em 75% do PIB em 2015”.

Para melhorar o ambiente de negócios, “aumentando o empreendedorismo, a indústria e o investimento estrangeiro, o Governo devia adotar um conjunto de reformas, incluindo uma descida de impostos, e medidas que facilitassem a obtenção de empréstimos”, concluem os analistas.

A quinta cimeira UE/África decorre entre 29 e 30 de novembro em Abidjan, a capital económica da Costa do Marfim, com o tema ‘Investir na Juventude para um futuro sustentável’, e deverá contar com cerca de 80 chefes de Estado e de Governo dos países europeus e africanos

A primeira cimeira UE-África, que se realizou no Cairo (Egito) em 2000, foi promovida por Portugal, durante a presidência portuguesa do Conselho da União Europeia.

Em 2007, novamente sob a égide da presidência portuguesa, Lisboa acolheu a segunda edição destas cimeiras.

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