Trata-se de um primeiro troço de estradas na zona de Baguia, no município de Baucau, a segunda cidade timorense, a leste da capital, Díli, em zonas de comunidades agroflorestais e que só são transitáveis na época seca, deixando algumas populações isoladas na época das chuvas.

O arranque do trabalho nas três estradas (Defawasi-Alaua Leten-Aláua Kraik, com 10,44 quilómetros, Defawasi-Uacala, com oito quilómetros e Defawasi-Alaua Leten, com 2,2 quilómteros) foi lançado numa cerimónia onde participaram, entre outros, o embaixador da União Europeia em Díli, Alexandre Leitão, a representante da OIT na Indonésia e em Timor-Leste, Michiko Miyamoto, e o administrador do município de Baucau, António Guterres.

Para Michiko Miyamoto, o lançamento do primeiro lote é um “marco significativo da Parceria para a Agro-Florestal Sustentável entre a OIT e o Governo timorense, a UE e o Governo alemão, através da agência GIZ.

“A OIT continua a comprometer-se com este projeto para melhorar as estradas, permitir ligações de mercado e melhores habilidades para os contratados. Acredito que todos esses esforços levarão a melhores condições de vida dentro das comunidades agroflorestais” disse Michiko Miyamoto

Alexandre Leitão, por seu lado, disse que o projeto centra-se nas estradas, mas “pensa nas pessoas”, com a escolha dos troços a reabilitar a terem em conta “critérios de conectividade e de potencial para desenvolvimento económico e criação de emprego” na zona.

“As estradas reabilitadas pelo projeto são um meio para trazer pessoas a mercados e serviços e levar mercados e serviços às pessoas. Mais de 6000 trabalhadores e as suas famílias serão beneficiados diretamente pelo projeto”, disse.

“Num projeto em que grande parte do sucesso depende da capacidade para estabelecer sinergias entre as atividades agroflorestais e de melhoria dos acessos, promover a participação das mulheres é verdadeiramente fundamental. Ninguém melhor do que elas sabe avaliar as dificuldades associadas ao desenvolvimento rural, e ninguém está melhor preparado do que elas para contribuir para acelerar esse desenvolvimento com o seu trabalho e ideias feitas de experiência intensiva”, afirmou ainda.

Resultado de uma parceria entre a Timor-Leste, a UE e a OIT, o “ERA Agro-Florestal” visa “contribuir para o desenvolvimento sustentável de Timor-Leste, assegurando a melhoria do acesso rural, promovendo a criação de emprego e oportunidades de rendimento, bem como a redução da insegurança alimentar e malnutrição nas áreas rurais através do desenvolvimento agroflorestal”.

Os 10,43 quilómetros da primeira estrada, que liga os sucos (divisão administrativa de Timor-Leste) de Defawasi, Alaua-Leten e Alaua Kraik, vão servir 925 famílias com mais de 2.400 pessoas e proporcionará melhores acessos a quatro escolas primárias, um centro de saúde e duas igrejas.

A UE destaca ainda que a estrada “é também essencial para a população vender os seus produtos agrícolas nos mercados de Baucau e Díli, além do mercado local de Defawasi”.

“Até agora, a estrada tem sido apenas transitável no tempo seco, deixando os sucos sem acesso motorizado durante a época das chuvas, o que representa um grave constrangimento ao desenvolvimento económico”, explica-se numa nota enviada à Lusa.

“Os trabalhos de reabilitação permitirão a plena circulação de viaturas durante todo o ano, em quaisquer condições climáticas”, refere ainda a UE.

A UE financia integralmente o programa “ERA Agro-Florestal”, no valor de 12,2 milhões de euros, que inclui ainda a formação de agentes timorenses capazes de construir e reabilitar estradas rurais e que, na sua totalidade, prevê melhorias em 90 quilómetros de vias.

O programa melhorará acessos a mais de seis mil famílias, oferecerá cursos de formação a 400 graduados e criará 450 mil dias de trabalho, com cerca de 30% dos empregos disponíveis reservados para mulheres

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