Os dirigentes presentes nas cimeiras vão discutir “a evolução da situação no Sudão”, onde o movimento de protesto continua ativo após o derrube pelos militares do Presidente Omar al-Bashir assim como os meios para mediar a crise “na Líbia, abalada com a ofensiva do marechal Khalifa Haftar sobre Tripoli”, refere um comunicado da Presidência egípcia, hoje divulgado.

No Sudão, Omar al-Bashir foi destituído a 11 de abril depois de mais de quatro meses de contestação popular, inicialmente motivada pelo aumento dos preços do pão e de outros bens essenciais.

Os protestos acabaram por transformar-se num movimento contra Al-Bashir, que liderava o país desde 1989, quando chegou ao poder através de um golpe de Estado.

Al-Bashir, que se encontra detido em Cartum, capital do Sudão, é alvo de dois mandados de detenção emitidos pelo Tribunal Penal Internacional por genocídio, crimes de guerra e contra a humanidade, cometidos durante o conflito em Darfur (oeste do Sudão).

De acordo com as Nações Unidas, o conflito causou mais de 300.000 mortos desde 2003 e obrigou cerca de 2,5 milhões de pessoas a abandonarem as suas casas.

Os protestos que conduziram ao derrube de al-Bashir levaram os manifestantes a bloquear, desde início de abril, várias estradas e pontes que ligam Cartum à cidade de Bahari.

O pedido foi feito depois de, no domingo, os líderes da contestação no Sudão aos civis.

Na Líbia, registam-se combates entre as forças do Governo de Acordo Nacional, reconhecido pela comunidade internacional, e o Exército Nacional Líbio, proclamado pelo marechal Haftar, homem forte do leste líbio que quer ocupar a capital do país desde 04 de abril.

O conflito já causou mais de 175 mortos e 800 feridos.

Os ataques forçaram o encerramento da base aérea do Mitiga, o único aeroporto que opera na capital, Tripoli, e o desvio de voos para a cidade vizinha de Misrata, principal porto comercial da Líbia aliado do Governo de Acordo Nacional.

Os combates causaram ainda mais de 18.000 deslocados, segundo o Gabinete de Coordenação dos Assuntos Humanitários (OCHA) da ONU.

Além dos combates no terreno, os dois campos realizam diariamente ataques aéreos e acusam-se mutuamente de visar civis.

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