A empreendedora contou à agência Lusa que a sua ‘startup’ está a participar no segundo maior programa de aceleração europeu: a Startupbootcamp de Amesterdão e que desde novembro está a trabalhar com as “maiores empresas mundiais e a desenvolver soluções digitais para as empresas seguradoras”.

A portuguesa participará num painel sobre como é “feita a reinvenção do modelo de negócio das seguradoras, que estão a atravessar atualmente um momento crítico, para se aproximarem dos seus consumidores com novos serviços e novos produtos”.

O percurso da empreendedora começou com formação académica na área médica entre Portugal e França, passou por investigação médica e distribuição de várias marcas internacionais em Angola. No currículo foi somando ainda experiências de ‘business intelligence’ com colaborações com a banca, consultoras e empresas de distribuição a “compreender o mercado” e a criar novos produtos para o mercado angolano.

Em 2017, foi num domingo de lazer que surgiu a ideia de avançar com a Keep Warranty, porque a avaria numa consola de jogos, comprada uns meses antes, impediu a tradicional tarde de jogos em família.

Sem recibo da garantia e da compra, a solução foi adquirir um aparelho novo, mas acabou por surgir a ideia para a aplicação para que as faturas estejam guardadas no telemóvel.

E assim, trabalhando na empresa que tem como foco as pessoas, a portuguesa encontra um paralelismo na sua carreira, porque também a medicina se concentra nos indivíduos e no seu bem-estar.

Depois de um ano no mercado, a equipa da aplicação concluiu que 70% da informação que os utilizadores guardavam na ‘app’ (aplicação) era relativa a produtos eletrónicos, o que “é uma oportunidade gigante para as seguradoras”.

“A Keep Warranty criou dentro da sua solução digital soluções que aproximam as seguradoras do seu consumidor, conseguem oferecer serviços personalizados, desenvolver outros potenciais de negócio e aumentar os lucros dos seus negócios e também a satisfação do cliente”, resumiu.

Questionada sobre os resultados da sua atividade, Romana Ibrahim indicou que a empresa já “ajudou 30 mil pessoas” e que os valores de faturação serão revelados depois de concluído o trabalho piloto com as seguradoras.

No primeiro semestre de 2019, o foco do trabalho é para Portugal, Espanha e Holanda, acrescentou a líder da equipa, que atualmente integra quatro pessoas, mas que deverá crescer.

Num mundo de negócios, em geral, “ainda de homens”, porque estes “começaram muito mais cedo”, o “papel da mulher na inovação tem de deixar de ser visto por quotas, mas pela capacidade que trazem” e em complementaridade.

Ao orgulho de ter fundado uma ‘startup’ em Portugal, Romana Ibrahim espera somar o “apoio às empresas portuguesas” para que as soluções sejam implementadas no país e não apenas no estrangeiro.

Romana Ibrahim notou à Lusa que a inovação e parcerias entre empresas portuguesas e as ‘startups’ “nem sempre é tão fácil de acontecer, é um processo que não é tão célere” como em outras geografias e “existe uma questão de educação das próprias empresas por trás”.

Face a este cenário, a empreendedora alerta que “aquilo que deve ser implementado hoje, se não for feito com rapidez, daqui a um trimestre ou a um semestre já não será inovação e não se traz mais-valias para o consumidor”.

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