Em comunicado, o secretariado executivo do Comité Permanente da Comissão Política da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) manifestou “preocupação e repulsa” sobre “notícias” de mortes de cidadãos abordados por elementos da Polícia Nacional “no decurso da luta que diariamente levam a cabo pela sua sobrevivência e das suas famílias”.

Em causa está a morte, terça-feira, de uma vendedora de rua (‘zungueira’), de 28 anos, no bairro Rocha Pinto, em Luanda, abatida a tiro por um agente policial, o que desencadeou tumultos que provocaram também quase duas dezenas de feridos, entre elas elementos da polícia, além de várias detenções.

O maior partido da oposição angolana denuncia “a recorrência de atos do género em que, ultimamente, as vítimas são sempre mulheres ‘zungueiras’ em busca do sustento de suas famílias e os autores sempre polícias”.

A polícia deveria “proporcionar a segurança dos cidadãos. Por isso, [a UNITA] exorta o executivo, em particular o Ministério do Interior “para a necessidade de rever as formas de recrutamento e formação dos efetivos para a corporação e dar particular atenção às ações de desarmamento de mentes”.

“Devem fazer parte da Polícia Nacional homens e mulheres com equilíbrio emocional comprovado, sob pena de termos em funções de segurança pública pessoas erradas, que somente contribuem para a morte dos cidadãos e para o mau nome da corporação”, refere o comunicado.

Quarta-feira, num comunicado, a Polícia Nacional indicou que vai responsabilizar civil e criminalmente o agente acusado de alvejar mortalmente a vendedora ambulante de 28 anos, que deixa viúvo e três filhos menores, bem como o comandante da esquadra e o chefe da equipa presente no bairro.

Segundo o documento, está já em curso um inquérito e um processo crime para determinar as causas do incidente, com o propósito de responsabilizar todos os culpados.

“As orientações emanadas pela direção do Comando Geral da Polícia Nacional não se coadunam com o recurso a armas de fogo como primeira medida para o controlo das incivilidades e transgressões administrativas, mas sim, como último recurso, quando estão em causa a vida e a integridade física de Agentes da Autoridade e cidadãos”, lê-se no documento.

A Polícia Nacional apelou a todos os cidadãos a manterem a calma e a não enveredarem por qualquer ato que coloque em causa a ordem e tranquilidade públicas, denunciando “toda e qualquer conduta criminosa”.

Nos últimos meses têm sido recorrentes situações de confronto entre agentes da polícia e vendedoras de rua, conhecidas localmente como “zungueiras”, que já provocaram várias mortes.

Por seu lado, a Polícia tem aberto vários inquéritos para apurar a responsabilidade dos seus agentes.

Desde outubro de 2018 que a polícia tem desencadeado várias ações para repor a autoridade do Estado em todo o país, no quadro da “Operação Resgate” que, entre outros objetivos, visa pôr termo às vendas de rua.

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