“Se o surto viral de Wuhan aumentar acentuadamente, acreditamos que os efeitos macroeconómicos seriam inicialmente os mais sentidos na Ásia, onde o vírus teve origem. A atividade do setor de serviços, particularmente em áreas associadas ao turismo, seria a mais vulnerável, o que poderia deixar expostas economias como Tailândia, Vietname e Singapura, além de Hong Kong e Macau, ambas já com perspetivas negativas”, defendeu a Fitch num comunicado enviado à agência Lusa.

“A escala do atual surto de coronavírus de Wuhan precisaria aumentar substancialmente para ter um impacto significativo nas classificações de crédito”, pode ler-se no mesmo texto.

Nesse cenário, serão as empresas globais expostas a viagens e ao turismo a correr o maior risco de serem afetadas, sustentou a Fitch, justificando a apreciação com o facto de as companhias aéreas, ligadas aos jogos, à hotelaria e lazer serem vulneráveis a pandemias, já que influenciam o comportamento do consumidor.

“Se o surto de coronavírus de Wuhan tiver vida curta, o choque não deve resultar em erosão a curto prazo das métricas de crédito ou ações negativas de classificação (…). Se, no entanto, o surto se espalhar e for prolongado (…) os efeitos poderão tornar-se mais generalizados”, destacou a agência de notação financeira.

O número de mortos na China devido ao surto de coronavírus detetado na cidade de Wuhan, no centro do país, subiu hoje para 26 e o de casos confirmados aumentou para 830.

A diminuição do crescimento chinês, a guerra comercial travada entre China e Estados Unidos e a diminuição do investimento justificada pela incerteza do fim das licenças de jogo em 2022 contribuíram para que Macau registasse uma contração da economia, que entrou em recessão técnica.

A este quadro junta-se a recessão económica sentida no vizinho Hong Kong, um dos principais centros financeiros mundiais, causada por mais de seis meses de protestos pró-democracia.

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