O surto do novo coronavírus, que já matou 908 pessoas e infetou outras 40 mil na China continental – exclui Macau e Hong Kong – forçou à colocação em quarentena de cidades inteiras e ao encerramento de milhões de restaurantes, hotéis e estabelecimentos comerciais.

As receitas dos restaurantes e retalhistas, que no ano passado se fixaram mais de um bilião de yuan (131 mil milhões de euros) durante os dias de férias, caíram este ano para metade, estimou num relatório Ren Zeping, economista-chefe e diretor da unidade de investigação Thinkgroup Evergrande.

A maior cadeia de fondue da China, o Haidilao International Holding, ou as multinacionais MacDonalds e Starbucks, encerraram parte ou a totalidade dos seus estabelecimentos, durante o período do Ano Novo Lunar, que este ano calhou entre 24 de janeiro e 30 de fevereiro.

No final de junho, o Haidilao operava 550 restaurantes, em 116 cidades da China continental. O Jiumaojiu Group, outro operador de restaurantes listado na bolsa de Hong Kong, encerrou mais de 300 restaurantes.

Associações de restauradores de Cantão, a capital da província de Guangdong, que faz fronteira com Macau, apelaram já aos senhorios que abdicassem ou reduzissem o valor das rendas durante os próximos dois meses.

O grupo chinês Wanda Group, proprietário de mais de 300 centros comerciais em todo o país, renunciou a quase 4 mil milhões de yuan (523 milhões de euros) em rendas mensais para apoiar os comerciantes.

O turismo e redes de cinema estão a sofrer ainda mais, depois de as agências de viagens terem sido forçadas a suspender todos as viagens organizadas e os principais pontos turísticos do país encerrados.

As estreias de oito filmes, previstas para a semana do Ano Novo Chinês, o período de maior receita para o setor, foram também adiadas.

No ano passado, as cadeias de cinemas chinesas faturaram 5,9 mil milhões de yuan (772 milhões de euros), durante a semana do ano novo, representando 10% do total das receitas em 2019 , e as receitas do turismo fixaram-se em 513,9 mil milhões de yuan (67 mil milhões de euros), durante os sete dias de férias.

As receitas dos setores turismo, cinema, restaurantes e retalho representaram quase 7% do Produto Interno Bruto chinês, no primeiro trimestre de 2019.

Em comparação com 2003, quando o surto da pneumonia atípica paralisou a China, abatendo 2 pontos percentuais no crescimento trimestral do PIB, a proporção do consumo doméstico na economia chinesa é hoje muito maior, o que significa que a epidemia deverá ter um impacto superior, segundo Ren.

No melhor cenário, que supõe que a epidemia possa ser contida em abril, o crescimento do PIB da China deverá desacelerar para 5,4%, este ano, depois de ter crescido 6,1%, em 2019, estimou o economista. No pior cenário, supondo que a epidemia se prolonga, Ren estimou que o crescimento de 2020 poderá desacelerar para 5%.

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