“Hoje começa de forma estruturante o ‘hub’ aéreo, porque vamos para além daquilo que tem sido o nosso mercado tradicional, que era Boston e Providence, a Costa Leste, agora vamos para Washington. E este voo marca a partida para o hub aéreo”, salientou o ministro, que falava no aeroporto internacional Amílcar Cabral, na ilha do Sal, no batismo dos voos da Cabo Verde Airlines para Washington, nos Estados Unidos.

O governante frisou ainda que o país está a iniciar “uma nova etapa”, após mais de 30 anos com voos regulares da então companhia aérea pública Transportes Aéreos de Cabo Verde (TACV) para os EUA, mais concretamente para Boston.

“Inicia-se uma nova era na relação de Cabo Verde com os Estados Unidos”, completou José Gonçalves, que sublinhou o facto de um dos passageiros do voo inaugural ser o embaixador dos Estados Unidos em Cabo Verde, John Jefferson Daigle.

“Cabo Verde está muito bem posicionado. Temos as condições estabelecidas em termos de infraestruturas no país, com quatro aeroportos certificados, dois dos quais o último ponto de partida para os Estados Unidos, um quadro regulador sólido e bem reconhecido internacionalmente, e a nossa companhia que goza de certificação para viajar diretamente para os Estados Unidos”, enfatizou o titular da pasta do Turismo e Transportes de Cabo Verde.

O ministro e o embaixador foram dois dos 35 passageiros do voo inaugural da Cabo Verde Airlines para Washington, que contou igualmente com outras entidades governamentais e empresários cabo-verdianos.

Para o presidente executivo da CVA, Jens Bjarnason, o voo do Sal para Washington, que será realizado três vezes por semana, enquadra-se na estratégia de fazer de Cabo Verde um ‘hub’, ligando América do Sul, Europa, África e América do Norte.

“Hoje é um ponto de partida para dar às pessoas a oportunidade de viajar de forma mais conveniente e mais depressa entre África Ocidental e os Estados Unidos”, frisou Bjarnason, para quem esta é uma oportunidade de viagem para os cabo-verdianos, mas também para os africanos e norte-americanos explorarem Cabo Verde.

“Este é um desafio, pelo que precisamos de todos para trabalhar juntos, as autoridades, o aeroporto, a aviação, para que todos possam fazer parte de uma equipa que vai fazer isto acontecer”, prosseguiu o presidente da CVA.

Depois de Washington, na segunda-feira a CVA inaugura voos para Lagos (Nigéria), cinco vezes por semana, e na quarta-feira para Porto Alegre (Brasil), duas vezes por semana.

Jens Bjarnason avançou que, depois de um adiamento, a CVA ainda continua com planos para viajar para Luanda (Angola), bem como outros destinos na África Ocidental.

Apesar de destacar a “grande conexão” com Lisboa, o presidente disse ainda que a CVA também está a analisar a possibilidade de operar a partir de outras cidades de Portugal, incluindo o Porto.

Mais tarde, acrescentou que a companhia aérea pretende viajar para Toronto, no Canadá.

Em março, o Estado de Cabo Verde vendeu 51% da TACV por 1,3 milhões de euros à Lofleidir Cabo Verde, uma empresa detida em 70% pela Loftleidir Icelandic EHF e em 30% por empresários islandeses com experiência no setor da aviação.

A TACV assegurava voos domésticos, que foram abandonados no âmbito do processo de privatização, passando as ligações aéreas entre ilhas a serem asseguradas apenas pela companhia Binter, que mudou de nome para Transportes Interilhas de Cabo Verde (TICV).

A companhia aérea, agora com o nome de Cabo Verde Airlines, retomou os voos domésticos, entre ilhas, através de uma parceria com as portuguesas Lease-Fly e Newtour, garantindo assim a conectividade ao ‘hub’ na ilha do Sal, de onde opera grande parte dos voos internacionais.

A frota atual da CVA é composta por três Boeing 757-200, com a companhia aérea a garantir ligações do arquipélago para Dakar, Lisboa, Paris, Milão, Roma, Boston, Fortaleza, Recife e Salvador.

A CVA prevê reforçar a frota em breve com dois Boeing 757-200.

Os restantes 49% do capital social da antiga TACV está a ser vendido aos trabalhadores e aos emigrantes cabo-verdianos (10%) e aos investidores institucionais (39%), num processo de privatização que o Governo prevê concluir até final do ano.

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