Em declarações à imprensa australiana, Peter Coleman insiste que a opção de um gasoduto para Timor-Leste, opção defendida pelas autoridades timorenses, continua a não ir de encontro às opções da petrolífera.

Porém, admite que separar os vários componentes do investimento pode solucionar o impasse.

“Se desagregar o projeto – o que significa que a propriedade da unidade onshore e do gasoduto é diferente de um upstream – então poderemos ver um caminho para investir no upstream e esse é um modelo que vemos na Indonésia e na Malásia e que funciona de forma bastante eficaz”, disse Coleman.

As declarações do responsável da Woodside vêm na sequência de Timor-Leste ter chegado a acordo com a petrolífera ConocoPhillips para comprar a sua participação de 30% no consórcio do Greater Sunrise, pelo valor de 350 milhões de dólares.

O consórcio do Greater Sunrise é liderado pela australiana Woodside, a operadora (com 34,5% do capital), e inclui a ConocoPhillips (30%), a Shell (28,5%) e a Osaka Gas (10%).

A diretora financeira da petrolífera ,Sherry Duhe, confirmou que a Woodside e os restantes parceiros do consórcio decidirão “em breve” se vão ou não exercer os direitos de preferência sobre a participação da Conoco.

A compra da participação da Conoco foi já aprovada pelo Governo timorense e o valor de 350 milhões de dólares vai ser inscrito no Orçamento Geral do Estado para 2019 atualmente a ser preparado pelo executivo.

A operação surgiu depois de Timor-Leste e da Austrália terem assinado no inicio do ano um novo Tratado de Fronteiras Marítimas – ainda à espera de ser ratificado pelo parlamentos dos dois países.

O processo de ratificação obriga ainda a que sejam finalizados acordos de transição para a gestão de todos os recursos que estão atualmente a ser explorados no Mar de Timor, com a jurisdição – e as receitas – até agora partilhadas entre Timor-Leste e a Austrália a passarem exclusivamente para Timor-Leste.

Duhe disse que a Woodside está à espera que sejam concluídos esses acordos de transição.

Os campos de Greater Sunrise estão, praticamente na totalidade, em águas territoriais timorenses, no âmbito do novo tratado de fronteiras marítimas assinado em março com a Austrália.

A comissão de conciliação das Nações Unidas que mediou entre Timor-Leste e a Austrália estimou que a construção de um gasoduto para Timor-Leste só teria retornos comerciais viáveis com um “subsídio direto” do Governo ou de outra fonte no valor de 5,6 mil milhões de dólares.

Os campos do Greater Sunrise contêm reservas estimadas de 5,1 triliões de pés cúbicos de gás e estão localizados no mar de Timor, a aproximadamente 150 quilómetros a sudeste de Timor-Leste e a 450 quilómetros a noroeste de Darwin, na Austrália.

Na semana passada o ex-Presidente timorense Xanana Gusmão, que conduziu as negociações para o tratado e para a compra da participação da Conoco, disse que Timor-Leste iniciou “um calendário de atividades”, incluindo contactos com outras companhias e parceiros.

Se tudo correr bem, nos finais de 2021, arrancam as obras da plataforma no mar, do gasoduto e da planta do GNL (Gás Natural Liquefeito) em Timor-Leste, disse, devendo as obras estar terminadas em 2025 e Timor começar a produzir gás no ano seguinte.

O investimento total no projeto é de sete mil milhões de dólares, mas com Timor-Leste a fazer parte do consórcio há uma parte do investimento que terá de ser suportada pelo país, admitiu, sem revelar o valor dessa parcela.

Xanana adiantou que os cálculos sobre o que cada um vai pagar já estão feitos e os estudos técnicos de viabilidade também concluídos.

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